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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Duplicidades

"Messere, renovais uma dor antiga. Mas vou responder-vos. Enquanto com os meus camaradas de armas defendíamos as últimas muralhas ... fui ferido por uma seta enfectada. ... O dardo trespassou-me a luva. O veneno começou de imediato a percorrer-me o corpo todo ... Os cirurgiões da Ordem decidiram que a minha única esperança era a amputação da mão. E apenas confortado pelos efeitos do loto, entreguei o meu pulso aos seus ferros."

Leoni. "Dante e os crimes do mosaico".


Até podia ser sobre o amor.
E se fosse?

Entre árvores

"... e nada se torna mais irritante do que passear, carreiro a fora, completamente ladeado pelas altas e finas àrvores, que sendo tantas, não me deixa a natureza apreciar apenas uma - ao ver a floresta, não consegui ver a minha árvore..."

A outra madrugada.
Varius Barius.

Os lados do coração

Largaram-me a mil metros do chão
Largaram-me porque me agarrei
numa alucinação de vida
que me enchia o coração
e que agora vejo perdida
num cair que já não sei

Largaram-me a mil metros do chão
Reparo o sol que se afasta no ar
Rasgo caminho onde o vento dormia
Adormeço sentidos no meu furacão
enquanto sol anuncia o dia
sinto o meu corpo, desamparado, deslizar...

Perdi-te do lado errado do coração
Eras tu o meu chão...

Enquanto caía a terra rachou
e eu via a queda ainda mais funda
Ao meu lado passava tudo o que passei
comigo a miragem que nada mudou
do voo rasante que nem começou
do tempo apressado que nem reparei

Sinto os meus gestos flutuar, devagar
no último segredo antes do ódio
À minha frente um filme de aves sem voz
e quando as toquei resolvi gostar
Quando as ouvi fiquei a amar
ter tentado subir ao cimo de nós

Amei-te do lado errado do coração
Eras tu o meu chão...

Não sei ao que chamam lados do coração
Mas és tu o meu chão...
és tu o meu chão...



Toranja.

Livros (z) - meditações

"São geladas as chamas do inferno? Esperaremos seminus, famintos, enfileirados, mudos, a hora de sermos arremessados pelo Cérbero através da porta para o gelo eterno da iniquidade?"


"O Espião do Vaticano".
Luther Blissett

Quando

Não há pior forma de miopia, do que aquela que tolda o raciocínio, aquela em que nem se enxerga que se está só, aquela que conduz a perda de amigos e de colegas.
Quando alguém erradamente se convence de que o seu interesse particular e o da função que exerce são o mesmo, mas desde que exercido “à sua maneira”; quando a reestruturação de um pequeno núcleo à imagem e semelhança da sua curta visão, é assumidamente condição da sua permanência; quando as orientações de trabalho são de “não se faça, nem se colabore” ao invés do “tenham força, resistam e persistam”; quando o não à iniciativa é razão sem fundamento; quando não vê que numa altura de solidão se colheram as tempestades semeadas; quando se prefere ver a negra conspiração contra a sua pessoa em vez de perceber que conspirou contra si próprio; quando isto é o modo de trabalho “normal” de há mais de doze anos; quando isto acontece, nada tem a ver com interesse público, nem com ele é compatível.
Quando isto acontece, nem derrotismo é: se algo de “ismo” ali houver, só pode ser “terrorismo”, que vingou apoiado no desconhecimento que grassa em camadas superiores de pretenso exercício de decisão – coisa que, finalmente, parece estar a mudar.
Quando isto acontece, dá-me pena. Por ele também.

Nascer do dia

"Light hath no tongue, but is all eye;
if it could speak as well spy,
this is the worst that it could say,
that, being well, i fain would stay,
and that i love my heart and honour so,
that i would not from him, that hath them, go.
"

John Donne

INCOMPREENSÃO

Não compreendo!
Numa época em que tanto se fala de choques tecnológicos, onde a tecnologia evolui a passos muito largos, ainda há serviços que aumentam a quantidade de papel circulante.
Não compreendo ainda como se pode gastar dinheiro do Estado em soluções informáticas que NÃO RESULTAM. Não facilitam, não diminuem a burocracia, não funcionam, não foram sequer criadas para o fim que se pretende.
Porque é que se tenta forçar a implementação de um sistema assim? Será medo de chegar à conclusão que se errou na escolha?
Lembro-me ainda… era eu criança e já sabia, aquele cubinho verde que tinha, não encaixava no buraco triangular!
Será assim tão difícil, senhores?

Estranhar quem se conhece

"- é este o nobre Mouro a quem o nosso Senado unanimemente chamava perfeito em tudo? É esta a natureza que a paixão não podia abalar?, cuja sólida virtude nem os tiros da desgraça, nem as setas do destino podiam ferir ou penetrar?
- está muito mudado.
"

Ludovico e Iago. Cena II do quarto Acto.
Otelo.

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