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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

As palavras que se escrevem

Observar sem ser visto. São raros os momentos em que se pode observar à vontade. É assim como escrever descrevendo, só que numa dimensão física.
Não se sente culpa ou mal quando os observados são os nossos filhos, num pátio de uma escola qualquer.
Torna-se um sentimento de si, numa dimensão que não é certamente a nossa, poder ver como correm, como saltam, gritam e riem e finalmente vê-los sorrir quando nos descobrem sem querer e sem terem sido provocads a isso.
Do tempo presente transpomo-nos para idos de infâncias e mesmo sem querer surgem comparações nas memorias repescadas no fundo de uma imagem.
Sentimentos de si que transportam à boleia angústias da consciência do pouco tempo que se tem para “estar aí”, mesmo que sem movimento. Apenas "estar" e deixar correr diante de si o filme da vida que é o nosso, mas que envolve os outros.

Todo o pequeno acto afecta a vida dos outros; até o mero “estar”.

Darem por nós, ou não, só é catalizador de “sentimentos de si”, se significar-mos alguma coisa para os outros.

Tal qual as palavras que se escrevem.

Ou não.

A um "dot" que é tudo, menos final

"Não podemos dirigir o vento... Mas podemos ajustar as velas."
É assim que se anuncia um blog.

Não é uma frase gira: é uma frase sentida e profunda, porque usada com legitimidade por quem anda cá e lá, mas não anda à deriva.
Parece que o autor da frase é desconhecido. Anónimo. Um "dot", como Lessig diz.

É como o autor do blog em causa. Um "dot". E como todos os "dot's", tem grande importância nas frases da vida de todos e que cada um escreve no dia a dia, dando-lhe sentido e direcção sempre que ajusta as suas próprias velas.

Engraçado, isto dos grandes pensamentos dos anónimos ditos pelos outros, porque são ecoados por cada um dos que os usa, como se de facto fosse dele a autoria... mas nunca é mau, nem plágio, nem oco; é mais um emprestar simples e são de um pensamento certo perante a vida e acertado perante a pessoa.

São coisas que só gente humilde e verdadeira pode dizer, porque apreendeu o sentido da vida na plenitude de a viver em jeito de missão, uma das formas mais raras e difíceis de exercer a vida.

O autor do blog, demoradamente relido, descobriu que ser "dot" tem consequênicas; descobriu que quando não há vento que nos permita sequer ajustar as velas, tem que se remar a pulso e com dor, para perseguir o que a sua consciência dita.

Um "dot".
Alimena, socorreu-se dos pontos para explicar difícies conceitos da "vida penal".
Um "dot", uma linha de "dot's" e uma linha contínua: a linha é feita de pontos, conclui-se.

Parabéns ao autor do blog, por exteriorizar, por escrever, mas sobretudo por ser um "dot" assim.

Se pensam que agora vou "linká-lo" com rasgados elogios, estão enganados: os rasgados elogios são merecidos, mas o carácter intimista manda mais.

Vou passar por lá de tempus a tempus, porque é para mim uma honra conhecer "dot's" como este, que são tudo menos pontos finais.

Balada do desastre informático

Yesterday
All those backups seemed a waste of pay
Now my server has gone away
I cant't believe! it was yesterday
Suddenly,
There's not half the files there used to be
And the owners hanging over me
The system crashed so quickly
I pushed something wrong
What it was I could not say
Now all my data's gone
And I long for Yesterday
Yesterday,
The tape rotation seemed so far away
I knew my server was here to stay
Now I believe in yesterday...

Imobilismos

“… o nosso comodismo profissional e o garantismo na função pública faz com que ninguém se mexa, e mesmo quem precisa de ter um primeiro emprego, se comporta como lhe sendo devidas condições, que noutros países e noutras profissões, toda a gente acharia normal.”

É apenas um trecho - in "Sábado", n.° 19; "A lagarticha e o jacaré", por Pacheco Pereira.


Não contradigo. Mas a verdade é que quem luta contra o imobilismo da FP, sujeita-se a considerações (classificações) “menos ajustadas”, por via da energúmena teoria de que quem sugere alterações, o faz para afrontar alguma chefia em concreto, ou a generalidade da administração da instituição em causa.


E nem a existência de (ver o "Da formação e da vontade") legislação que visa (re)compensar a ausência de imobilismo, pela atribuição de prémios, pecuniários ou outros, tem surtido efeito: não se revelou eficaz.


Vergados pelo peso da indiferença, os funcionários caem na crítica destrutiva, esperando um messias ou uma nova administração que, mesmo que não introduza melhorias, pelo menos rompa com o passado.

Ser cristão

Afinal, George Walker Bush não é, ao contrário do que todos pensavam, cristão. Está na Visão Nº 600, em letras grandes: "Não rezei por Saddam".


Mas piora: "se formos bondosos e generosos com o dinheiro - e somos - mas decididos na nossa crença de liberdade, o Iraque acabará por ser um país livre...".


 


Fropundo.

Da revisão do Código Penal

“[...] a verdade é que parece que os Governos, especialmente os Ministros da Justiça, parecem fazer da sua assinatura num Código Penal um ponto alto da sua passagem pelo Poder; mas se assim for, estar-se-á diante de uma vã glória, pois que logo um dos seus sucessores se encarregará de apagar essa memória, gravando a sua própria num novo código penal.”
Prof. Taipa de Carvalho.

Ano da Graça do Senhor, de 1990; 92; 95; 98; 2000; 2004...

Prosas

“O Portugal sem ideias, só com manias, a relação edipiana com o mundo da governação, o sentido de abstinência que o povo conhece, para não intervir, não dar opinião, até que um dia se encosta ao muro e fere o inimigo, com singular determinação.”

Agustina Bessa-Luís,
in “A Alma dos Ricos”.

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