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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

en saio

Duas raparigas, três cães e a pesca - é tudo o que lhe resta, naquele ar arrumado, asseado, calmo, enquanto explica a origem da familia ao interessado petiz, mas com pormenores que não lhe interessam de todo.

Um pescador educado que reaje com educação a quem lhe chega ao pesqueiro e o partilha sem resmungos, nem fronhas expressivas.

Olho atento à possibilidade de fiscalização, fala varrendo com o olhar em volta, aproveitando para dizer mal dos polícias.

A conversa torna-se-lhes fácil perante interesses óbvios. Ele é pequeno mas sabe já (pelo tio) do isco coreano e de outras artes que tais: das correntes e dos ventos; das marés e das águas turvas; da tralha e do empate. O que ele quer mesmo saber é que peixe há ali, na Foz, duplicidade de designação, com raíz geográfica e nome de terra.

Os peixes agradecem o marisco que vão depenicando sem morder o anzol.

Não é por o sol ter enfraquecido que percebo o frio no vento - é pelo dedos enregelados que nem deixam sentir a queimadura do fio de nylon que corre rápido, à mão, só para entreter a vista.

A noite chega e com ela me fico; à mesma temperatura e a ver o mesmo, que o mesmo é dizer que nada.

Devagar, sem ver bem os caminhos (dos quais apenas sei que estão lá) vou pondo o pé  e deixo-me guiar pela luz que sai deles - resquícios de fé no Amor e noutros sentimentos que alimentam as discussões intelectuais sobre o fundo primordial da natureza humana.

Enrola-se a trela como se fosse o pecurso da vida e segue-se - ainda que com inveja de quem, á nossa volta e não sendo gente, é como a gente feliz, aos pulos, altos.