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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

watersilences

chove mesmo muito bem. a luz dos candeeiros ao fundo ilumina riscos transversais da chuva que tinha sido anunciada pelos sons dos barcos que se ouviam em terra.

os canaviais sopram-se uns aos outros com o vento gelado que os consegue passar.

as passadas que se ouvem são calmas, pesadas, chapinhadas e contrastam com a delicadeza de patitas apressadas conta as madeiras do chão, o que produz um som meio estranho, mas conhecido, algo musical.

sem se perceber quem acompanha quem, surpreendem-se com aquele xilofone inesperado. baixo.

sem abrigos, sem amparos e sem frio.

no cruzar com outros, nem por fora se percebe qual a diferença entre eles e os que ali passam sózinhos a não ser que uns fazem muito mais barulho a pensar.

ao meu sorriso, a coincidência de me mostrarem os dentes numa espécie de devolução de simpatia. sacudimo-nos. o quente não é, nem está em casa.

está ali, entre o escuro e o silêncio de se saber com quem não se está.