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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

piedras rolantes...

provavelmente, quando estiver mais sóbrio, arrepender-me-ei deste "post". mas têm sido tantos os gnomos, feiticeiros e fadas a intervir (e ainda bem) que me sinto compelido a escrever umas linhas em nossa defesa - minha e do Zud.
afinal de contas, sempre era uma pedra para muito conteúdo alcoólico.
a pena por nós próprios, como foi dito algures, não existe.
existe sim, uma outra dimensão de nós, de sentimentos; uma situação
complexa, que se traduz em amar e respeitar; amar quem nos tem, quem nos teve mais; ou demais; ou de menos; e respeitar muito quem quase tudo foi para nós, tudo sendo, ou sendo muito e que muito nos tem dado de si.
a questão está de facto, nas pedras de gelo. sejam as que forem, consoante o que se bebe e com quem se quer beber.
se não tivessemos valores, elas não derretiam sequer: eram substituídas. o problema é que as pedras se dissolvem e fica uma mistura: nem água, nem a bebida original. nada é, jamais, o mesmo.
nem nós, nem as pedras. se fosse um simples caso de embriaguez era fácil: uma cura, uma abstinência, uma intervenção de um guronsan e a coisa continuava.

mas há muito respeito, muito receio de magoar e claro, de se sair magoado.
as pessoas que, bem intencionadas, se fazem recorrer a frases do tipo "cresces com a situação", ou "embriaga-te pela vida" (não é o teu caso "outra feiticeira") vêem elas próprias de uma perspectiva pessoal e interessada (são parte interessada) e raramente se apercebem que o acordar para a vida já nos aconteceu - e da pior forma.

aos poucos, nos vamos confessando - uma tentativa desesperada de se ser honesto para nós e para os que nos importam.
daí que que o cutty com pedras sejam uma pedra no sapato da vida.
difícil de viver, sem se conseguir descalçar, quanto mais não fosse, por respeito. muito.
 
nesta fase da vida, quem consegue viver assim? com que qualidade? com que fé na vida em que se acredita, para quem sempre soube que não somos mera passagem, mas que enquanto por cá andamos, interferimos uns com os outros e uns nos outros?

em termos de física racionalista, somos átomos da enorme massa da vida, desejando vivê-la enquanto se tenta evitar a colisão na trajectória em torno de um núcleo.

se perdemos o núcleo, deriva-se da estrutura onde gravitávamos - fica-se à deriva.

a nossa culpa é bem simples: amamos desinteressadamente e em consciência. e porque somos pessoas conscientes, importam-nos os sentimentos dos outros, por vezes a ponto de nos preocuparmos menos connosco. essa é a dor e a contradição nos termos: não nos sabermos perdoar, mesmo que os outros a quem magoámos, nos perdoem.

tudo isto porque precisamos de ser felizes. sem contradições.

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