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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

in tempus

só há tempo
enquanto o tempo
o é de ser

não o vivas
no medos dos outros
vivê-los
é viver na vida deles
não na tua
não no teu tempo

é deitar fora o tempo
o tempo que é
tanto teu como meu

doutra forma tornado
mero contratempo

é ficar o tempo inteiro
partido e na dúvida
se o tempo foi perdido
ou se de outra forma
tivesse acontecido
e tido
teria sido escrita
esta vida
com tinta
doutro tinteiro

H M Matos
in Poemas Celtas

estares

se ao menos estivesses
onde estou
aqui onde o sol já foi
e só o frio ficou

estás tão longe

agora
como eu do céu
que nunca vi

se estivesses aqui
abraçava-te
num beijo
recolhia-te
num olhar
envolvia-te
numa palavra
abrigava-te
num encosto

retirava-te da dor
que te aperta a alma
e te rouba a alegria
te fere a esperança
e enche de melancolia

emprestava-te
silêncio e calor
nas lágrimas
que derramavas
em mim
sem som

devolvia-te a lembrança
de um beijo no tom
com um sorriso
e um amaço
e baixinho te repetia
"olá olá olá meu amor"

porque a tua voz
a tua voz embargada
só se faria ouvir
para responder
uma e outra vez

"obrigada obrigada
obrigada meu amor"


HMM
Poemas Celtas

...

sei do amor
que o é

por o ser

sei que não podemos
ser e estar
porque tem de ser

sei no teu olhar
quando queres ir embora
porque tem que ser

mas sobretudo sei
quando mo vais dizer
no teu suspiro
que é frase
antes da frase acontecer

porque tem de ser

triste e derrotado
cansado o faço


porque sei quando amo
e porque tem de ser

partidas e largadas

nem era brincadeira nem uma prova de orientação de pombos
e contudo partiam em direcção de outras vidas de outros locais
noutros locais
com mais uma mão cheia de nada
senão os ensinamentos das noites anteriores
sofrem as ondas de choques de divisões da vida
aprendem a sofrer baixinho
formulam com cuidado as perguntas
para não magoar o destino
dizem num melodrama o que lhes vai na alma
 
quantos natais já passámos separados

adeus pai não te esquecerei

não há forma de lhes descrever esse sentimento
de que não há Natal
e que também eu não os esquecerei

...

escrever sem ponto sem parágrafo e quase sem linha e deixar fluir os comboios de letras numa folha imaginária desenhada de branco sobre nada senão o reflexo daquilo que nos fazem crer que é e existe mas nem é nem existe aquilo que só se vê enquanto tu estás assim a trabalhar activado dependente
desenhos perfeitos idênticos em preto sobre branco onde só o espaço entre cada coisa escrita é simétrico numa teia de ideias que vão e que ficam saem das pontas dos dedos vindo de onde antes foram escarradas
se olhas vês a ideia exposta num relevo tão artificial que os teus dedos jamais o sentirão
eu aqui
tu aí
nos escritos
nós proscritos
vós
letras
soltas

Bom Natal

...

- táje aÍ?

- é mó! atãn!

- manda vir a gamela.

- fónix! outra vez?

- sim; magros como cães lembras-te?

- todos os dias...

...

é pena não se poder viver a vida

sem que uma alma perdida

triste

indefinida

me destrua a bela sina

 

de novo vens

tu

inverso das sombras

lembrar o que existe

tornar maior

a dor da partida