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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

arte de viver

- então somos pequeninos para saber tudo o que se passa contigo?
- sim.
- então, a vida é uma selva?
- sim.
- então não nos dizes, porque ainda não nos sabemos camuflar para andar na selva?
- isso mesmo...
- então, vamos ter de treinar a camuflagem...

lados

Há gente que espera de olhar vazio
Na chuva, no frio, encostada ao mundo
A quem nada espanta
Nenhum gesto
Nem raiva ou protesto
Nem que o sol se vá perdendo lá ao fundo

Há restos de amor e de solidão
Na pele, no chão, na rua inquieta
Os dias são iguais já sem saudade
Nem vontade
Aprendendo a não querer mais do que o que resta

E a sonhar de olhos abertos
Nas paragens, nos desertos
A esperar de olhos fechados
Sem imagens de outros lados
A sonhar de olhos abertos
Sem viagens e regressos
Outro dia lado a lado

Há gente nas ruas que adormece
Que se esquece enquanto a noite vem
É gente que aprendeu que nada urge
Nada surge
Porque os dias são viagens de ninguém

A sonhar de olhos abertos
Nas paragens, nos desertos
A esperar de olhos fechados
Sem imagens de outros lados
A sonhar de olhos abertos
Sem viagens e regressos
A esperar de olhos fechados
Outro dia lado a lado

Aprende-se a calar a dor
A tremura, o rubor
O que sobra de paixão
Aprende-se a conter o gesto
A raiva, o protesto

E há um dia em que a alma
Nos rebenta nas mãos


Lado a lado.
Mafalda Veiga.

apropriadamente

A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Ha qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo o que era fundo fica perto
Nem sempre o chao da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
É tanta vezes o que resta, do calor

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

Trocamos as palvras mais escondidas
Que só a noite arranca sem doer
Seremos cumplices o resto da vida
Ou talvez só ate amanhecer
Fica tão facil entregar a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
Olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho


Mafalda Veiga


sem ligação à terra

passou-me despercebido: irá dar-se uma substituição de "estações de trabalho", vulgo "PC's de secretária", por portáteis.

Claro, que numa organização a sério, estruturada, onde se tomam decisões programadas, já está tudo pensado para se fazer frente ao número de portáteis que vão desaparecer... e à informação que eles contêm.
Por isso, já se deu formação generalizada, para o uso de cifragens fortes sobre os dados; o Departamento de informática já sabe que catalogação vai fazer; já se sabe quem são os Departamentos que mais precisam desses meios; já se tomaram medidas para prevenção de "sniffing" de redes-rádio; já se sensibilizaram os colaboradores para pesarem a importância do "levo para casa e só uso eu" vs. "deixa-o lá jogar um bocadinho"; e já há planos de contingência para as infecções virais de última geração; foi desenhado um plano de estudos para as consequências da transformação do "sistema sempre dentro de casa" vs. "sistema que entra e sai"... e muito mais...

Coisas dos choques; tecnológicos.

apropriadamente

Gosto de ti como quem gosta do sábado,
Gosto de ti como quem abraça o fogo,
Gosto de ti como quem vence o espaço,
Como quem abre o regaço,
Como quem salta o vazio,
Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p’ra mim.

Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p’ra ti.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.

Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós.

Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.


Abrunhosa.

estaticidades

lá encontrei um canto onde encostar a bike.
respiro.
se paro, as feridas feitas pelas correntes, gritam na água fria como as outras.
separo.
marcas de pneus deixadas na areia e na pele.
grilhetas. lembra o referão da música "e a dor é tão perto".
para.
paro.
paro tudo.
paro para escutar e nem o vento sopra.
se paro, dói.
separo recordações num "já visto" mais ou menos recente.
nem me lembrava que era possível ficar e seguir.
evidências pardas em ondas de pesqueiro manso
muita força de vontade onde há pouca razão
fica emoção
e pouca razão onde não há força - nem decisão.
junto ideias.
pedalo para ficar, seguindo.

...

Conta-me histórias
A que eu gostaria de voltar
Tenho saudades de momentos
Que nunca mais vou encontrar
A vida talvez sejam só 3 dias
Eu quero andar sempre devagar
Até a ti chegar

Ninguém é de ninguém
Mesmo quando se ama alguém
Ninguém é de ninguém
Quando a vida nos contém
Ninguém é de ninguém
Quando dorme a meu lado
Ninguém é de ninguém
Quando fico acordado vendo-te dormir

Um raio de sol através de um vidro
Faz-me por vezes hesitar
Na vontade de estar contigo
Pelo dia paira no ar.
Paira no ar

Ninguém é de ninguém
Mesmo quando se ama alguém
Ninguém é de ninguém
Quando a vida nos contém
Ninguém é de ninguém
Quando dorme a meu lado
Ninguém é de ninguém
Quando fico acordado vendo-te dormir

Pedro Pais.