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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

gelos

- porque é que estou com tanto frio?
- tens frio, é?
- então! se não paro de bater os dentes!
- não é frio, filho;
- ai não? então porque é que não paro de tremer as pernas e o meu peito?
- pela mesma razão do frio que dizes sentir;
- e qual é?
- tiveste medo, a sério, pela primeira vez.
- pela primeira vez? vou ter mais?
- sim.
- muitas vezes?
- sim.
- já tiveste medo muitas vezes?
- sim.
- como é que se faz para ser como tu?
- como eu?!?
- assim, sem medo de nada?
- por vezes, também tenho medo; só faço por não mostrar.
- quando é que tiveste medo pela última vez?
- há pouco, quando tu tiveste.
- mas não parecia! quando estava aflito, tu até me sorriste!
- sim.
- pois foi; sim.
- sim.

cães danados

- eh lá! estás bem? há que tempos não te via Zud!
- e eu a ti!
- então que dizes? como estás?
- ...
- hummm?
- estás magro que nem um cão!
- ...
- então que dizes? como estás?
- ... na mesma...
- pois... eu também...
- estamos os dois magros...
- que nem cães...

conceitos

hoje, o dia foi excepcionalmente longo.
foi um dia de explicações; de comparações; de lições de vida.
hoje foi um dia de práticas e de teóricas.
foi um dia de conversas sobre o amor, sobre o desamor, sobre o gostar, sobre o gostar de alguém, sobre o não se ter quem se gosta, sobre o que é o espírito de grupo, sobre vencer, ganhar, sobre perder e especialmente, do ganhar quando se perde; do que é lealdade, no combate e na vida; de que a vida é um combate; de que interessa saber cair, tanto no tapete, como no alcatrão, como na vida, só para saber como se levantar logo a seguir; e do que é ser-se imperfeito - como eu.
hoje foi dia de desmistificação do "super-pai".
hoje foi dia de memória de quando se perde alguém - mesmo aos onze anos!
hoje foi um dia de combate a preconceitos. de observação directa de estratégia, de força, de medo, de nervos. de aceitar o medo, de e de ficar mal.
foi um dia cheio.
agora, há que digerir tanta informação para um só dia; afinal de contas, são só onze primavereas, em contraste com quarenta e cinco invernos. as ideias dos conceitos estão lá.
exprimí-los é que lhes é difícil.
o sentido prático da vida dos mais novos foi factor descomplicador absoluto, sinal evidente de que tenho razão na perspectiva de vida e na transmissão de valores universais que penso ter cabimento, ainda hoje.
as artes marciais na prática, os torneios, foram o exemplo da difereça e da desigualdade, onde a estatura, a idade e o peso são meros factores perante a genica e a vontade de vencer, pouco diferente de um combate pela felicidade, pelo querer algo, ou por se querer ser, ou mesmo, "ter" alguém.
hoje, estiveram mais próximos que nunca.
especialmente hoje, rezou-se sem igreja, comungou-se sem missa, confessaram-se sem padre.
hoje, foram Uno, como o nunca tinham sido.
um dia, a todos os níveis, memorável. pelo menos, para mim. não sei o que guardarão dele para o futuro. só sei o que retenho deste presente.
e sei que à noite, quando não estiverem fisicamente comigo, ou ao meu alcance, estarão, como sempre, em e no meu espírito.