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Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Tempus a tempus

um espírito próprio dos que vão estando a tempus, in tempus.

Fahrenheit 9/11

Michael Moore realizou (fez) um filme sem actores.
Não há pessoas contratadas para desempenhar um papel. Acaba por ser um documentário agressivo, com imagens reais, sem "factor X" a fingir os ferimentos, o sangue e a dor na alma.
Não fazendo acusações directas de qualquer espécie ao presidente norte-americano, deixa que sejam colocadas questões embaraçosas em torno de três grandes pontos:
- incompetência do presidente norte-americano
- relações económicas entre as famílias Bush / Laden
- incoerência económica da injeccão de capitais pelos laden nos USA
- quem foi nomeado para que cargo e que relacções tinha com as famílias Bush / Laden
- porque se mantem um estado de alerta quase permanente nos USA, com base em anúncios de prevenção cíclicos;

O filme incomoda, não só pelas imagens, mas pela mensagem latente que fica: a existência de uma enorme corrupção dos ideiais, do sistema político e da vontade popular norte-americana.

De todos os congressistas, sabe quantos tinham filhos na Guerra do Iraque? Antes de ver o filme, também não sabia.

Um filme a ser visto.

Coniuratio (2bis)

Nestas coisas da negação, há sempre um ponto comum (previsível) no "ataque" desferido por quem contesta. É o que se passa  com a reacção ao livro "O Código Da Vinci".

Porém, o que parece ressaltar de uma análise objectiva, é que aqueles artigos que criticam o livro são mais significativos pelo silência em torno do que não contestam, do que pelo "ponto fraco" que encontram e à roda do qual fazem tanto alarido: a imprecisão histórica em contradição com a asserção do autor logo no início do livro ("... os documentos .... os rituais ... são exactos").

O autor não afirma que os factos são exactos. Nunca o fez.

Obviamente que compreendo que o livro é "problemático" para a ICAR. Mas é-o sobretudo para a Opus Dei, por analogia, como o foram os "Versículos satãnicos" para Rushdie, ainda com a cabeça a prémio. Este "Código Da Vinci", há um bom para de anos atrás, também condenaria Brown à morte.

Na senda de uma pura "teoria da conspiração", qualquer acidente sério que Brown sofra, variará na interpretação póstuma entre o atentado e o homicídio, consoante a gravidade daquilo que sofra.

O certo, é que em Niceia (em 325 d.C.) são meros homens, que reunem e que entre eles decidem que existe a consubstancialidade do Filho ao Pai, que defínem o papel, a pureza e a Santidade de Maria, linha teológica que tem por consequência que os que a rejeitam sejam proscritos e designados por "arianos".

De entre várias, fica pelo menos esta dúvida: num livro de simbolismos, o rigor histórico é compatível ou mandatório com o próprio símbolo que é narrado?

Parece-me que não. O livro, ficção ou não, contém um bom par de mensagens, bastante claras. Cabe a quem o lê, interpretá-las. E quem sabe até, considerá-las reais, se assim o entender.

Coniuratio (2)

Imagine que num qualquer ponto do planeta, alguém lia comovidamente a versão de um livro, aparentemente de ficção, acerca de um pretenso código embutido numa determinada obra de arte, no caso, pintada por Da Vinci: ou seja, percebia a mensagem embutida no próprio livro; para esse leitor, o livro seria uma mensagem e não uma obra de ficção.

O "Código Da Vinci" não é um livro sobre um segredo. É um livro sobre cifras, que obviamente visam esconder o acesso a vários segredos, um dos quais suficientemente sério e importante para abalar a civilização ocidental, caso fosse revelado.

Um dos objectos deste livro sensação acaba por variar entre um subtipo da esteganografia, uma forma de escrita secreta contida numa escrita evidente e em um ou mais tipos de cifragem por substituição (se lerem Bauer, “decrypted secrets”, Springer, 1991; o Prof. Bauer explica-as e oferece um esquema classificativo dos diversos tipos de cifragem).

As opiniões pessoais dos leitores sobre o dito livro variam, mas em regra consideram-no "bom"; e as vendas parecem suportar esta ideia. Um livro interessante, sem dúvida.

O que provavelmente o leitor nunca saberá (sendo certo que seria um verdadeiro golpe de mestre do autor do "Código Da Vinci") é até que ponto ele próprio não aroveitou a edição do seu livro para transmitir uma determinada mensagem sobre o tema do livro, para que alguém indeterminado ou uma generalidade de pessoas a pudesse receber, de forma aberta, numa das quarenta línguas em que o seu livro foi traduzido.

Mesmo sem o ter lido na língua original, lá aparecem "brincadeiras" em torno de um ou outro vocábulo, como a designação de um determinado código antigo, que transmutado com indicações do próprio livro ganha outra "dimensão".

É a teoria da conspiração revisitada: uma acusação a um centro de poder, tido por perverso e corrompido, só que desta feita, o alvo não é o Governo Norte Americano.

P.S. Quem ler "O Código Da Vinci", podia também ler "O Caminho" do próprio Escrivá; "Do Lado de Dentro", de Tapia, europa-america; "Mentiras Fundamentais da Igreja Católica", de Rodriguez, Terramar; e já agora, "O Código da Bíblia", de Drosnin;

Homenagem a um tocador de letras

Nas últimas horas, muito se disse e se elogiou uma figura bem conhecida, como sempre acontece quando desaparece um vulto das artes.
Carlos Paredes era único, porque extraía da guitarra portuguesa acordes e tons com um sentimento tal, que nos permitia perceber uma letra que não tinha sido escrita.
Achei particularmente belo o trecho de um texto de Francisco Bruto da Costa escreveu e partilhou noutro lado, acerca do desaparecimento do Mestre e que não resisto a reproduzir:

carlosparedes.jpg
Esta será talvez a melhor homenagem que se pode fazer a Carlos Paredes: relembrá-lo, ouvindo-o; ou tocando o que ele criou.

Fonte da imagem:
de Carlos Martins Pereira, em "espelhos de sons", Polygram, 1987.

E torrentes de palavras...

As torrentes transbordam e saltam das linhas de água. Há textos que são torrentes. São o caso dos que não seguem estradas nem outras rectas pré-determinadas. Rompem barreiras. Saiem das linhas. Vêm com ímpeto. Significam. Atraem. Espantam.

Como o texto "a um sol radioso", partilhado num blog aí ao lado. Já o leram?Conhecem o blog onde esse texto está? Não é mais um blog. É Um Blog.

Tem um título e muitos textos, tudo sob um fundo de cores suaves.
Não tem a quantificação de "hits". Nem tem "counters", nem bonequinhos, nem animações; nem grandes arranjes gráficos; nem montes de "links" e muito menos de "referers"; tem apenas o que um bom blog necessita verdadeiramente de ter: muito bons conteúdos!
No caso, são torrentes de palavras as que fluem do "modus vivendi". Ainda bem.
Espero que venham a desaguar num outro tipo de suporte e ficar obra de papel. Sim, porque digital, já é...

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